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Em toda a minha vida eu andei de ônibus. Sou do tempo da Viação Conquistense e das linhas só até o Centro.
Muita coisa mudou nos últimos anos. As melhorias são evidentes. Mas, não acho que essas melhorias sejam grande coisa. Acho que a evolução foi meio que natural. Não temos aqui em nossa cidade um sistema de transporte público maravilhoso. Mas, dá para o gasto.
No entanto, ultimamente, venho percebendo um problema grave: a quantidade de pessoas na parte da frente dos ônibus (antes da catraca).
Não é raro as vezes em que você não consegue entrar no ônibus, apesar dele estar praticamente vazio. É um terror, um aperto, uma falta de respeito.
O que acontece é que a quantidade de pessoas que não pagam passagem é muito maior que aquele espaço reservado para eles. E aí o caos se instala.
Se alí estivessem apenas idosos e deficientes, eu até que não reclamaria tanto.
O problema é quando eu vejo outras pessoas alí que têm “direito” à gratuidade na passagem. Não consigo entender. Isso só faz atrapalhar.
Para mim, não faz o menor sentido que algumas classes de profissionais andem de ônibus sem pagar passagem. Ou alguém tem uma boa razão para me apresentar para que um carteiro não pague passagem? Ou o motivo dos guardinhas da SIMTRANS também não pagarem? E oficial de justiça? E tantos outros que estão lá na lei?
Não quero discutir se eles tem direito ao transporte. O problema é eles ficarem alí na frente. Se o transporte faz parte das atividades profissionais, não é mais sensato que as empresas ou órgãos empregadores forneçam o vale-transporte?
Na logística atual, quem acaba pagando para que esses trabalhadores andem de ônibus somos cada um de nós, usuários do transporte público. Ou alguém acha que as empresas de ônibus é que pagam a conta?
Em minhas navegadas na Internet, achei uma notícia bem interessante.
Dêem uma olhada na imagem abaixo:
Reparem na data e hora da notícia: 20/07/2007 às 02h22min.
Logo depois, saiu outra notícia:
Dessa vez, foi às 03h17min do mesmo dia. Ou seja, alguns minutos depois.
E o pior: na verdade, ACM morreu oficialmente às 11h40min.
Que gafe, hein!?
Os jogos Pan-americanos deste ano estão acontecendo no Brasil. Isso já seria motivo suficiente para que o idioma usado durante os jogos fosse o bom e velho português. No entanto, o idioma oficial da ODEPA (Organização Desportiva Pan-americana) é o espanhol. Por isso, o idioma oficial dos jogos é o espanhol.
Sendo assim, alguém pode me explicar por que as legendas que aparecem durante as transmissões estão em inglês? Os Estados Unidos são o único país (ou, pelo menos, o único com alguma expressão) cujo idioma é inglês. E eles não dão a mínima para o Pan (prova disso é que nenhum dos principais atletas do país vem para cá; quem vem, faz parte da seleção B de lá).
Não consigo entender o porquê do inglês aparecer alí nas legendas.
- O que mais se ouviu na noite de sexta-feira, 13.07, foi: “A Cerimônia de Abertura dos Jogos Pan-Americanos Rio 2007 foi a cara do Brasil!”. Atraso, falta de educação e desrespeito. Realmente, foi a cara do Brasil.
- Segundo Galvão Bueno, a apresentação de Elza Soares foi a melhor interpretação do Hino Nacional Brasileiro da história do país. Dá para acreditar nisso?
- Deu vontade de não participar do Festival de Inverno esse ano. Nove atrações principais e apenas um show que dá para assistir. Só salvou Paralamas do Sucesso. Não sei o que vou fazer.
- Desde a quarta-feira passada que eu estou dizendo que o Brasil iria ganhar da Argentina na final da Copa América. Para mim, não foi nenhuma surpresa.
Eu não tenho o costume de assistir muito à televisão. De vez em quando, assisto a um jornal ou um jogo. Minha fonte de informações é principalmente a Internet.
Normalmente, quando ligo o computador, antes de começar a trabalhar dou uma navegada por vários sites de notícias para me manter informado.
Vez ou outra, eu entro no G1, o portal de notícias da Globo. Claro que o jornalismo de lá é tão ruim quanto o da televisão. Mas, às vezes, chego a me impressionar.
O que me chama mais a atenção são as manchetes que eles colocam lá. Todo dia tem que ter alguma coisa , no mínimo, estranha.
Hoje, ao abrir o portal, deparei-me com essa manchete: “Criança que perdeu mão é operada na cabeça“. Na hora eu tomei um susto. Imaginei que fosse mais um caso terrível de erro médico. E, na curiosidade, abri a notícia para ler.
Não era nada disso. A criança, além de perder a mão em um acidente de carro, havia sofrido traumatismo craniano e precisava fazer a cirurgia na cabeça.
Esse é só um exemplo das péssimas manchetes que são colocadas lá.
Na semana passada, revirando alguns jornais, encontrei um artigo interessantíssimo cujo título está aí em cima. Foi publicado no jornal A Tarde de 19 de junho de 2007 e é de autoria de Jânio Ferreira Soares.
Gostei tanto que resolvi trancrevê-lo aqui na íntegra (alguém sabe me dizer se eu posso fazer isso?).
O episódio de Elomar, contado no final, é simplesmente ilário.
Quando surgiram os primeiros walkmans com fitas cassete, lá pelo final dos anos 70, a geração do vinil vibrou com a novidade. Finalmente seria possível levar para além dos toca-fitas do carro as velhas e boas canções gravadas nas heróicas basf de cromo. Mais tarde, com a febre dos CDS, foi a vez da chegada do discman, que tinha como inconveniente o fato de pular e travar quando chacoalhado. E agora, me aparece esse aparelhinho do tamanho de uma caixa de fósforos, com uma surpreendente capacidade de armazenar dentro dele toda a minha coleção de LPs, de CDS e, de quebra, uma infinidade de músicas e vídeos que galopam livres por aí sobre a cela de uma esperta mula cibernética. Trata-se do formato digital MP3, que está provocando uma verdadeira revolução no meio fonográfico.
Lembro-me de que, no início dos anos 70, quando eu chegava a Salvador, a primeira coisa que eu fazia era correr para a Fundação Politécnica a fim de conferir as últimas novidades sonoras e estéticas que por lá aportavam. Desde a legítima calça Lee, até os últimos lançamentos de discos importados e nacionais, tudo ali me fascinava e me deixava sem nenhum trocado nos bolsos.
Na volta para casa, eu trazia, além de uma saudade danada do misto quente com Fratelli Vita da Rua Chile e dos sorvetes da Lobrás, uma porção de LPs e compactos cuidadosamente embalados para não empenar ou quebrar, que durante dias iriam rodar sem parar no velho Garrad-Gradiente com cápsula shure.
O meu guia, além do rádio, era o jornal Rolling Stones, cuja primeira versão circulou por aqui entre 1972 e 1973, e que dava preciosas dicas do que de melhor rolava em matéria de música e comportamento. E foi numa dessas viagens que eu comprei o festejado disco de Elomar, Das Barrancas do Rio Gavião, e o compacto de um certo Billy Paul, que tinha de uma lado Me and Mrs. Jones, e do outro, Your Song.
O ano era 1972 e, naquele tempo, como na canção Sapato Velho (de Mu, Cláudio Nucci e Paulinho Tapajós), eu tinha estrelas nos olhos e um jeito de herói e era mais forte e veloz que qualquer mocinho de caubói.
E depois de anos e anos de Beatles, Stones, Pasquins, Paul Newman, Jane Fonda, Jovem Guarda, Tropicalismo, Odair José, Bendengó, casacos de generais, vinho barato e providenciais antiácidos, eu coloco meus óculos de grau e vejo na primeira página do Caderno 2 de A TARDE, que Elomar se rendeu à tecnologia e gravou seu primeiro DVD na Fundação Casa dos Carneiros, em Conquista, numa noite de lua cheia e sob o odor característico dos bodes que por lá habitam. E, para minha surpresa, quando eu chego à contra-capa, lá está a foto do velho Billy Paul, que, coincidentemente na mesma data, havia encantado uma grande platéia que pagou entre R$ 80,00 e R$ 640,00 para saracotear suas roupas alinhadas e seus perfumes padronizados – que, dependendo da ocasião, podem feder mais do que um velho pai de chiqueiro conquistente – pela Área Verde do Othon, em Ondina. E foi assim que, 35 anos depois, Me and Mrs. Jones e Incelença do Amor Retirante cruzaram novamente seus acordes pelos céus da Bahia.
Isso tudo me fez recordar de um fato bastante pitoresco que aconteceu aqui em Paulo Afonso (BA) nos anos 80. A prefeitura contratou Elomar para uma apresentação durante o aniversário da cidade e teve a “grande” idéia de colocá-lo para cantar no meio da rua, antes de uma banda de axé. Logo cedo, ao encontrá-lo, quis saber sobre o show. “Show, não, cantoria!”, fora sua resposta, um tanto quanto raivosa. Cocei a cabeça e pedi a Deus que desse tudo certo.
A praça estava lotada quando o locutor anunciou a quase desconhecida atração para a grande maioria do público. Elomar subiu ao palco e depois de dedilhar magistralmente o seu violão e mandar O Pidido, uma meninada que estava na frente começou a se impacientar.
Foi quando um deles disse: “Oxi! E esse véio num vai cantar Nêga do cabelo duro não, é?”. E em coro começaram a pedir o sucesso de Luiz Caldas. O velho catingueiro colocou a viola em baixo do braço e nem sequer disse adeus.
Quando eu já estava chegando em casa, meio decepcionado, mas dando boas risadas com o inusitado das coisas, ainda deu para ouvir a banda que entrou em seguida, cantando junto com a galera: “Pega ela aí, pega ela aí, pra quê? Pra passar batom…”
Janio Ferreira Soares é consultor da Secretaria de Cultura de Glória (BA), no Vale do São Francisco.



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